Aprender Perspetiva

Flexibilidade

Como a maioria das pessoas atravessa tempos difíceis, e porque ajuda conseguir mudar a forma como se responde.

Revisto pelo Ricardo · 23 de outubro de 2026 · 10 minutos · 10 fontes

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O trauma duradouro não é a regra

Depois de algo difícil, a maioria das pessoas continua a funcionar bem, mesmo que fique abalada nos primeiros dias ou semanas. Outras passam por dificuldades no início e depois recuperam. Um grupo mais pequeno tem dificuldades durante muito tempo, ou começa a tê-las mais tarde, e precisa de ajuda. O que ajuda a atravessar estes momentos é menos uma qualidade fixa que se tem ou não se tem, e mais conseguir perceber o que uma situação pede e mudar a forma de responder quando algo deixa de resultar.

Quatro formas de interpretar o que acontece depois de um acontecimento difícil

O trauma como resultado esperado

A ideia mais comum: um acontecimento difícil deixa marcas duradouras se não for tratado.

Explica bem: o sofrimento duradouro que algumas pessoas vivem, e porque precisam de ajuda.

Deixa de fora: a maioria das pessoas não segue esse caminho, e lidar bem com a situação pode ser confundido com negação.

A resiliência como traço

Algumas pessoas são simplesmente fortes e outras não.

Explica bem: porque algumas pessoas parecem lidar melhor do que outras.

Deixa de fora: a mesma pessoa lida bem numa altura e não na seguinte, e um traço diz pouco sobre o que se pode fazer de outra forma.

Flexibilidade

George Bonanno: lidar bem é ajustar a resposta ao momento.

Explica bem: porque as pessoas que leem a situação, têm várias formas de responder e verificam se uma resposta está a resultar tendem a sair-se melhor.

Deixa de fora: as próprias circunstâncias, como a pobreza ou um mal que continua a acontecer, que também precisam de mudar.

A pessoa no seu mundo

Previsão e contexto: o que a pessoa espera, e o que as pessoas e os lugares à sua volta lhe oferecem.

Explica bem: porque o mesmo acontecimento é vivido de forma diferente por pessoas diferentes, e porque mudar o mundo à volta de uma pessoa pode ajudar tanto como mudar a pessoa.

Deixa de fora: é mais difícil de medir diretamente, e a ciência ainda está a desenvolver-se.

O que experimentar

Em casa

  • Algum abalo nos primeiros dias e semanas é comum e costuma passar. Dê tempo antes de concluir que algo está mal.
  • Repare no que ajudou da última vez. Volte a experimentar, e experimente outra coisa quando deixar de resultar.
  • Mostrar o que sente e guardar para si podem ambos ajudar, conforme o sítio onde a criança está e quem está presente.

Na escola

  • Depois de um acontecimento, observe e pergunte antes de tratar todos os alunos como afetados, e não peça a todos que contem outra vez o que aconteceu.
  • Ofereça mais do que uma forma de lidar com a situação: conversar, mexer-se, tempo calmo, manter a rotina.
  • Quando o sofrimento dura mais de cerca de um mês, ou piora, envolva um profissional.

O que a investigação diz hoje

Revisto pelo Ricardo a 23 de outubro de 2026

O que acontece às pessoas depois de um acontecimento potencialmente traumático
Resiliência: continuam a funcionar bem66%Recuperação: dificuldades, depois melhoram21%Crónico: dificuldades durante muito tempo11%Tardio: as dificuldades surgem mais tarde9%

Galatzer-Levy, Huang e Bonanno (2018), Clinical Psychology Review. Cada valor é uma média entre estudos, por isso a soma não dá 100.

  1. A flexibilidade tem três partes que funcionam em conjunto: ler a situação, ter várias formas de responder e reparar se uma resposta está a resultar.

    Bonanno e Burton (2013), Perspectives on Psychological Science

  2. Estudantes de Nova Iorque que conseguiam melhor tanto mostrar como esconder emoções, quando lhes era pedido, tinham menos sofrimento dois anos depois do 11 de setembro de 2001.

    Bonanno, Papa, Lalande, Westphal e Coifman (2004), Psychological Science

  3. Bonanno descreve uma mentalidade de flexibilidade assente em três crenças: otimismo em relação ao futuro, confiança em ser capaz de lidar com as situações e ver uma dificuldade como um desafio a enfrentar.

    Bonanno (2021), The End of Trauma

Numa página

Os quatro percursos, as três partes da flexibilidade, o que experimentar em casa e na escola, e as fontes. A4, para imprimir ou guardar no telemóvel.

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