Princípios para viver
Ver de um degrau acima
Em resumoDar um passo atrás, ou falar de si pelo próprio nome, ajuda a pensar com mais calma num momento difícil.
A ideia
Marco Aurélio olhava para os seus problemas como se os visse de muito alto, pequenos no meio de tudo. Hoje sabe-se que falar de si próprio na terceira pessoa (‘o que é que o Rui pode fazer agora?’) ou imaginar como se verá isto daqui a um ano ajuda a pensar com mais calma. É uma forma de pôr o problema no seu nível: um momento, não a vida inteira.
O que experimentar
- Quando algo corre mal, perguntem: ‘como vamos ver isto daqui a uma semana? e daqui a um ano?’
- Convide a criança a falar de si pelo nome: ‘o que é que a Ana precisa agora?’
- Façam isto depois do momento difícil, quando o corpo já acalmou, e não durante.
O erro comum
Usar ‘isso não é nada’ como distância; diminuir o sentimento não é o mesmo que ver o momento no seu tamanho.
Quer saber mais?
Para começar
Textos curtos e simples dos investigadores e de bons divulgadores.
Livros
O livro de base da teoria da emoção construída: porque é que as emoções não disparam, constroem-se.
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A ciência por trásA força da evidência, o modelo, vídeos e referências.
A força da evidência
Promissor Bons estudos, mas ainda pouco testado com crianças em casa ou na escola, ou a passagem para o dia a dia é interpretação nossa.
Kross e Ayduk (2017) revêem evidência de que o autodistanciamento (terceira pessoa, perspetiva de observador, distância temporal) reduz a reatividade emocional e a ruminação sem suprimir a emoção. Gross e John (2003) mostraram que a supressão se associa a piores resultados do que a reavaliação, o que separa este exercício de ‘esconder o que se sente’. Em termos hierárquicos, o distanciamento convoca níveis mais altos e mais lentos do modelo, que contextualizam o erro local em vez de serem revistos por ele.
Referências
- Kross, E., & Ayduk, O. (2017). Self-distancing: Theory, research, and current directions. Advances in Experimental Social Psychology, 55, 81–136.
- Gross, J. J., & John, O. P. (2003). Individual differences in two emotion regulation processes: Implications for affect, relationships, and well-being. Journal of Personality and Social Psychology, 85(2), 348–362.
- Marcus Aurelius (c. 170/2006). Meditations (M. Hammond, Trans.). Penguin.