Como funcionamos
Brincar: fazer surpresas de propósito
Em resumoBrincar é criar pequenas surpresas de propósito, com a criança a decidir o tamanho delas.
A ideia
Brincar é criar de propósito pequenas surpresas que se conseguem resolver: esconder e encontrar, construir e deitar abaixo, fingir ser outra pessoa. A criança controla o tamanho da incerteza, e por isso pode experimentar o que noutros sítios seria demasiado. É assim que se treinam previsões novas sem custo: no jogo, errar não conta. Quando a vida está imprevisível, brincar costuma ficar mais repetitivo e mais controlado, o que também é informação.
O que experimentar
- Deixe a criança decidir o tamanho da surpresa: ela escolhe onde se esconde, quanto tempo demora, quem ganha.
- Use o jogo para ensaiar o que custa: brincar às escolas, às consultas, às manhãs.
- Repare no que muda no jogo quando a vida muda: mais repetição ou mais controlo dizem alguma coisa.
O erro comum
Transformar a brincadeira em treino com objetivos e correções, o que lhe tira aquilo que a faz funcionar.
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A ciência por trásA força da evidência, o modelo, vídeos e referências.
A força da evidência
Promissor Bons estudos, mas ainda pouco testado com crianças em casa ou na escola, ou a passagem para o dia a dia é interpretação nossa.
Andersen, Kiverstein, Miller e Roepstorff (2023) propõem que brincar é criar e resolver de propósito incerteza numa ‘zona’ em que o erro pode ser reduzido mais depressa do que o esperado, o que é recompensador por si. Isto liga o brincar à curiosidade (ver ‘A quantidade certa de novidade’) e à exploração protegida da infância (Gopnik, 2020). O faz de conta permite ensaiar políticas e perspetivas sem consequências reais no mundo. Na avaliação: observar quem controla o jogo, quanta variação a criança tolera e se o jogo fica mais rígido em períodos de mais incerteza.
Referências
- Andersen, M. M., Kiverstein, J., Miller, M., & Roepstorff, A. (2023). Play in predictive minds: A cognitive theory of play. Psychological Review, 130(2), 462–479.
- Gopnik, A. (2020). Childhood as a solution to explore–exploit tensions. Philosophical Transactions of the Royal Society B, 375(1803), 20190502.