Como as mentes diferem
Hábitos e escolhas pensadas
Em resumoO cérebro pode pensar numa escolha ou repetir o que resultou antes; quanto mais repetida a situação, mais o hábito manda.
A ideia
O cérebro tem duas maneiras de agir. Uma é pensar no objetivo e escolher o caminho, o que dá trabalho. A outra é repetir o que resultou antes, depressa e sem esforço: o hábito. Quanto mais previsível e repetida uma situação, mais o hábito manda. É por isso que pedir ‘pensa antes de agir’ resulta pouco em situações que se repetem há muito, e que mudar o contexto muda mais do que um bom conselho.
O que experimentar
- Para mudar um hábito, mude o contexto que o chama: outro sítio, outra ordem, outro objeto à mão.
- Ponha o novo comportamento no mesmo sítio e à mesma hora todos os dias, até deixar de dar trabalho.
- Use as escolhas pensadas para o que é novo, e não espere delas o que só o hábito consegue.
O erro comum
Contar com a força de vontade para mudar algo que acontece todos os dias da mesma maneira.
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A ciência por trásA força da evidência, o modelo, vídeos e referências.
A força da evidência
Bem estabelecido Muitos estudos, com resultados que se repetem.
Dolan e Dayan (2013) revêem a distinção entre controlo orientado para objetivos (baseado em modelo) e habitual (sem modelo). Na inferência ativa, os hábitos são priors sobre políticas aprendidos pela repetição; FitzGerald, Dolan e Friston (2014) mostram como a média de modelos favorece políticas habituais quando reduzem a complexidade sem perder exatidão. Wood e Rünger (2016) revêem evidência de que os hábitos são chamados por pistas do contexto e resistem a mudanças de intenção, e que mudar o contexto (por exemplo, uma mudança de casa ou de escola) abre uma janela para formar hábitos novos. Na formulação: distinguir comportamentos ligados a pistas estáveis dos que variam com objetivos, e testar mudanças de contexto antes de intervenções motivacionais.
Referências
- Dolan, R. J., & Dayan, P. (2013). Goals and habits in the brain. Neuron, 80(2), 312–325.
- FitzGerald, T. H. B., Dolan, R. J., & Friston, K. J. (2014). Model averaging, optimal inference, and habit formation. Frontiers in Human Neuroscience, 8, 457.
- Wood, W., & Rünger, D. (2016). Psychology of habit. Annual Review of Psychology, 67, 289–314.