Princípios para viver
Disciplina: praticar antes de ser preciso
Em resumoO que se pratica pouco e muitas vezes torna-se o esperado, e deixa de precisar de força de vontade.
A ideia
Os estoicos falavam de askesis, o treino diário. Do ponto de vista do cérebro preditivo, a disciplina é fazer de algo uma previsão tão repetida que deixa de precisar de força de vontade. O que se pratica com regularidade, em pequenas doses, torna-se o mais provável de acontecer quando o dia está difícil. A disciplina não vive de grandes momentos de esforço; vive do que se faz quando ninguém está a ver e nada está em jogo.
O que experimentar
- Escolha uma prática pequena e faça-a todos os dias, à mesma hora, durante semanas.
- Comece abaixo do que a pessoa consegue, para que falhar seja raro.
- Registe os dias feitos, e valorize a regularidade mais do que o tamanho.
O erro comum
Confundir disciplina com dureza ou castigo; o que se pratica com medo tende a ser evitado quando ninguém obriga.
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A ciência por trásA força da evidência, o modelo, vídeos e referências.
A força da evidência
Bem estabelecido Muitos estudos, com resultados que se repetem.
Hábitos formam-se pela repetição num contexto estável e passam a ser chamados por pistas do contexto (Wood e Rünger, 2016); na inferência ativa, tornam-se priors precisos sobre políticas (FitzGerald et al., 2014). Lally et al. (2010) observaram que o tempo até um comportamento se tornar automático variou muito entre pessoas (de 18 a 254 dias, mediana de 66), e que falhar um dia não prejudicou o processo. Isto apoia práticas pequenas e regulares, tolerância a falhas ocasionais e atenção ao contexto. A disciplina, assim entendida, reduz o custo de decisão no momento difícil porque a política já tem precisão alta.
Referências
- Lally, P., van Jaarsveld, C. H. M., Potts, H. W. W., & Wardle, J. (2010). How are habits formed: Modelling habit formation in the real world. European Journal of Social Psychology, 40(6), 998–1009.
- Wood, W., & Rünger, D. (2016). Psychology of habit. Annual Review of Psychology, 67, 289–314.
- FitzGerald, T. H. B., Dolan, R. J., & Friston, K. J. (2014). Model averaging, optimal inference, and habit formation. Frontiers in Human Neuroscience, 8, 457.