Os fundamentos
Cultura, significado e efeitos de retorno
Em resumoA forma como se sente e se fala do sofrimento depende da cultura, e os rótulos que usamos mudam as pessoas.
A ideia
Laurence Kirmayer, psiquiatra cultural, mostra que a forma como vivemos e expressamos o sofrimento depende da cultura: em alguns sítios o mal-estar sente-se e diz-se sobretudo no corpo, noutros em palavras sobre o humor. Ian Hacking chamou ‘efeitos de retorno’ ao que acontece quando uma categoria muda as pessoas descritas por ela: quem recebe um rótulo começa a ver-se, e a ser visto, através dele, e isso muda o que faz. Por isso as explicações que damos a uma criança não são neutras.
O que experimentar
- Antes de adotar uma explicação, pergunte o que ela vai mudar na forma como a criança se vê e é vista.
- Repare nas palavras que a família usa para o sofrimento: dizem muito sobre o que se espera.
- Descreva o que acontece, por que ordem; deixe as explicações grandes para depois de observar.
O erro comum
Achar que um rótulo apenas descreve. Também orienta a atenção, as expectativas e as ações de todos à volta.
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Para começar
Textos curtos e simples dos investigadores e de bons divulgadores.
A ciência por trásA força da evidência, o modelo, vídeos e referências.
A força da evidência
Forma de pensar Uma lente para interpretar o que a criança faz, não uma regra saída de ensaios.
Kirmayer propõe uma abordagem ecossocial em que sofrimento e sintomas emergem de ciclos entre processos corporais, cognitivos, interpessoais e sociais; os ‘idiomas de sofrimento’ e as ‘affordances culturais’ (Ramstead, Veissière e Kirmayer, 2016) moldam o que é percebido e feito, através de regimes de atenção partilhados. Hacking descreve ‘tipos interativos’, categorias que mudam os classificados. Implicações: avaliar o significado que a família e a escola atribuem; considerar o efeito iatrogénico das categorias; formular em termos de processos que circulam entre pessoas.
Livros mais técnicos
Cultura, corpo e cérebro juntos, contra explicações redutoras do sofrimento.
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Vídeos
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Referências
- Ramstead, M. J. D., Veissière, S. P. L., & Kirmayer, L. J. (2016). Cultural affordances: scaffolding local worlds through shared intentionality and regimes of attention. Frontiers in Psychology, 7, 1090.
- Kirmayer, L. J., Lemelson, R., & Cummings, C. A. (Eds.) (2015). Re-Visioning Psychiatry: Cultural Phenomenology, Critical Neuroscience, and Global Mental Health. Cambridge University Press.
- Hacking, I. (1995). The looping effects of human kinds. In D. Sperber, D. Premack & A. J. Premack (Eds.), Causal Cognition (pp. 351–383). Oxford University Press.